Arquivo de março \30\UTC 2010

30
mar
10

Onde você estiver não se esqueça de mim

Vitinho, meu lindo no colo da tia preferida

Ele me faz tão bem… ele me faz tão bem” – Victor – 13 anos de felicidade e de alegria

“Onde você estiver não se esqueça de mim”. É com esta frase que divido com vocês a tristeza de me despedir de um grande amigo. Amigo de 13 anos. De momentos preciosos. De momentos maravilhosos de cumplicidade e completa dependência minha. Eu sempre me rendia aos olhares cheios de indagações. Espertos e sempre a procura de algo que o fizesse saciar a sua curiosidade. As solicitações de colo seguidas de muita preguiça – das duas partes. Dos constantes pedidos por comida, água fresquinha e asseio… rs…Por horas de aconchego e de muita brincadeira.
Ele era irresistivelmente delicioso, mas acima de tudo um herói. Com a sua força de vida, eu mesmo era constantemente convencida, por seus olhar irresistível de que era preciso lutar por ele. Dar voz a ele, inclusive. Eu portadora do otimismo que ele me transmitia através de todas as suas manhas. Ele era único. O amor da minha vida me fazia acordar no meio da madrugada, – várias vezes, se preciso fosse – pois ele era o senhor das minhas vontades, dos meus atos. Ele pedia e eu atendia, pois sabia que a recompensa viria em forma de olhares, de patinhas estendidas em minha direção, aconchego no meu colo, entre outros tantos momentos.
Momentos únicos e memoráveis.
O rostinho estendido na direção do beijo que a tia adorava dar. O futebol jogado com poeira, papel, clips. Ele era o dono da bola, sem bola… não gostava de bolinhas. Gostava de brincar com qualquer coisa, menos bolinha. Não esqueço o olhar de soslaio quando eu falava algo ao seu ouvido. Esta imagem é minha. Ninguém me tira. E o bichinho prestava atenção, era meu cúmplice. Ele era um encanto. O encanto da minha vida. Já tive muitos amores, mas aprendi que cada um que passa, passa sozinho. E o meu encanto, a minha “delicinha”, sabia que tinha sua marca. A marca dele era única. Tinha personalidade, vontade e carisma. Todos que conheciam se apaixonavam de “prima”. Ele era irresistivelmente irresistível. Vivenciamos cada aventura. Já fomos procurar ajuda “médica” por tudo o que foi coisa. Cada corte, cada marca daquele corpo trazia impressões de brigas, de luta pela vida. Ele resistiu a brigas, ferimento inexplicável nos olhos, chumbinho e agora um pouco mais de dois anos, lutava contra um problema renal. Ele era acima de tudo um forte!
Ele era impossível. Sempre tinha impressão de que ele iria despertar uma manhã e tal qual a Emilia de Monteiro Lobato ia disparar a falar. Ele se comunicava de um jeito todo especial. O olhar dele era uma loucura.
Triste, alegre, temperamental, gostoso, fofo, lutador, manhoso, briguento, carinhoso, birrento… Ele era único. Meu filho único agora. Ele era o dono das minhas ações, dos meus horários e me fazia voltar correndo para casa. Só por ele eu percorria léguas para conseguir comida especial.
E é por ele que eu reitero o que já disseram. “Os animais têm a marca de Deus”. Impossível não reconhecer isso no meu amor. Te dizer que vou te levar para sempre é clichê. Não poderia sentir outra coisa a não ser um amor imenso por quem tanto me deu alegria, felicidades, provocou risos, choros, sofreu junto com vc. Te amo pra sempre, meu lindão! Fica na paz dos gatos, Victor. A mãe te ama. Faz um favor para mim, meu senhorzinho? Segue brilhando ai no “céu” dos gatinhos.

Victor Vieira Valeriano – 9 de janeiro de 1997 a 22 de março de 2010.




 

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